Do lado de dentro...

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

ഇ എ ജന്റെ വൈ levando

No mais, contudo, entretanto, todavia, porém... a gente vai levando.
Não que seja fácil, mas pode-se ir levando.

sábado, 19 de setembro de 2009

Os Três Mal-Amados

O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato. O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço. O amor comeu meus cartões de visita. O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome.

O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas. O amor comeu metros e metros de gravatas. O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus. O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos.

O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas. Comeu minhas aspirinas, minhas ondas-curtas, meus raios-X. Comeu meus testes mentais, meus exames de urina.

O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia. Comeu em meus livros de prosa as citações em verso. Comeu no dicionário as palavras que poderiam se juntar em versos.

Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso: pente, navalha, escovas, tesouras de unhas, canivete. Faminto ainda, o amor devorou o uso de meus utensílios: meus banhos frios, a ópera cantada no banheiro, o aquecedor de água de fogo morto mas que parecia uma usina.

O amor comeu as frutas postas sobre a mesa. Bebeu a água dos copos e das quartinhas. Comeu o pão de propósito escondido. Bebeu as lágrimas dos olhos que, ninguém o sabia, estavam cheios de água.

O amor voltou para comer os papéis onde irrefletidamente eu tornara a escrever meu nome.

O amor roeu minha infância, de dedos sujos de tinta, cabelo caindo nos olhos, botinas nunca engraxadas. O amor roeu o menino esquivo, sempre nos cantos, e que riscava os livros, mordia o lápis, andava na rua chutando pedras. Roeu as conversas, junto à bomba de gasolina do largo, com os primos que tudo sabiam sobre passarinhos, sobre uma mulher, sobre marcas de automóvel.

O amor comeu meu Estado e minha cidade. Drenou a água morta dos mangues, aboliu a maré. Comeu os mangues crespos e de folhas duras, comeu o verde ácido das plantas de cana cobrindo os morros regulares, cortados pelas barreiras vermelhas, pelo trenzinho preto, pelas chaminés. Comeu o cheiro de cana cortada e o cheiro de maresia. Comeu até essas coisas de que eu desesperava por não saber falar delas em verso.

O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas. Comeu os minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minha mão asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta. Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em volta da sala.

O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte.
João Cabral de Melo Neto

quinta-feira, 17 de setembro de 2009


Ah, por que você foi fraco assim?

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

As pessoas são ruins.
Algumas salvam, mas a maioria é ruim.
Sem palavras.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009


P.S: E por ter tanto o que dizer, fico muda.
Na esperança de que o silêncio te diga tudo, senão tudo, que diga ao menos que não consigo competir com o poder de seus olhos, as palavras ficam presas, uma à uma na boca.
O que emana de você é tão leve e brilhante que ficar pertinho de você, sentindo a sua respiração, já me basta.

Ouçam boa música, últimamente recomendo The Strokes, muito bom.
Tirem um dia só pra pensar no nada, e olhar o céu por horas sem pretenção nenhuma.
Comam um doce bem gorduroso sem culpa.
Abrace um desconhecido.
Se entregue a melodia do momento e ouça a música que o vento faz quando passa por seu corpo.
Ame alguém e se deixe ser amado.
Plante uma árvore.
Ligue pra um amigo e diga que o ama.
Viva um dia pelo menos, sem qualquer medo. Viva, isso basta.
:)

domingo, 16 de agosto de 2009

Paciência é uma virtude, é uma qualidade...
Mas como é prazeroso "chutar o baude" colocar toda a raiva para fora e lubrificar os instintos.
Laboriosamente ofender quem te tira a PACIÊNCIA, quem te diz o que você não quer ouvir, quem te insulta e não te ama.
É bom substituir a paciência por um completo e elaborado "FODA-SE".
E que todos tenha uma ótima semana, sem paciência.

"Tudo é loucura ou sonho no começo. Nada do que o homem fez no mundo teve início de outra maneira - mas já tantos sonhos se realizaram que não temos o direito de duvidar de nenhum."
Monteiro Lobato

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Depois de muito tempo parado, voltei a postar textos no meu BLOG :)


Há motivos lógicos e ilógicos para não deixarmos nossas fantasias e nosso "universo particular" se transformar em algo perigoso a nossa sanidade. A linha entre a sanidade e a loucura é devastadora , tênue e imperceptível aos olhos dos enganados. A vida deve ser leve, deve ser sensata; Temos o tempo exato para aprendermos a lidar com tudo, um problema não deve durar mais que o tempo da solução aparecer (e acreditem: para todo problema há uma solução exata, aposto que algum físico maluco pode provar isso cientificamente). Ser masoquista e sentir auto-piedade não ajuda em nada, só faz com que recebamos olhares mecânicos de pena e de compaixão barata, chega a me embrulhar o estômago! Clarice não se tornou Clarice Lispector se deixando corromper por suas ninharias sentimentais; Caio Fernando Abreu não bebeu de sua solidão para morrer lentamente como um verme, ele usou isso como instrumento para seus livros fodásticos!. Eles podem sim, não ter vivido aquilo que escreveram, mas com certeza tentaram deixar registrado o mundo de coisas boas que existem e que mesmo a tristeza pode ser a saída, a válvula de escape para a mediocridade de viver. O importante não é viver uma história perfeita para imprecionar o mundo e seu próprio ego, mas deixar marcas, dizer ao mundo que você não viveu em vão e que a vida vale mais que suspiros cinzas em uma tarde melodiosa. Viver é uma arte e a ilusão pode ser destrutiva, a arte é tão completa que não precisa ser reinventada, basta admirar e amá-la de toda a alma.